Carta da Profa. Dra. Martha Abreu sobre a "Carta crítica" da Anpuh-Rio à proposta da BNCC Destaque

Caros colegas,
Entendo que documento produzido pela Anpuh seção Rio de Janeiro, e assinado por sua presidenta, Monica Martins, não representa todos os seus associados, nem todos os presentes na referida reunião de 18 de novembro. A postura da carta, rejeitando completamente o documento produzido pelo MEC, não é compartilhada por diversos outros historiadores, pesquisadores e profissionais do ensino de história. Sem dúvida, há muitas críticas e sugestões a serem feitas, mas em diálogo com o documento e com os responsáveis pela proposta do componente curricular de História da BNCC.Também divulgaremos um documento público nas redes sociais, discordando de sua forma, conteúdo e encaminhamento.
Na USP, na sexta feira última, considero que a reunião foi muito esclarecedora e aberta ao diálogo. Na abertura, a professora Hilda Micarello, assessora da Secretaria de Educação Básica do MEC para a elaboração da BNCC, apresentou a proposta geral, que vem sendo trabalhada desde 2013, e os critérios de convocação das equipes de todas as áreas: foram convocados profissionais de variadas partes do país, que atuam na pesquisa do Ensino de sua área específica e possuem experiência em reformulações curriculares realizadas em seus estados. Deixou claro também que o portal está recebendo questionamentos e sugestões (que estão sendo processadas por uma equipe da UNB) e que serão ouvidas todas as associações cientificas, de historiadores e de pesquisadores do ensino de história.
Uma boa notícia é que o documento hoje disponível será revisto pela equipe, depois dessa primeira rodada de críticas e sugestões, e mais uma vez apresentado para debate. Só depois de todas essas rodadas teremos o documento final, que deverá ficar pronto em julho. Como leitores críticos, estavam presentes Maria Helena Capelato, Marieta Morais Ferreira, Marcelo Magalhães (UNIRIO), Helenice Rocha (UERJ), Luis Fernando Cerri (UEPG), Renilson Rosa Ribeiro (UFMT), Arnaldo Pinto (UFSC), Rafael Teixeira (UFG). Para as próximas rodadas serão convocados outros leitores críticos e ouvidas nossas associações.
Entre vários pontos destacados pelos leitores críticos, foi valorizada a ênfase na história da diversidade étnico-racial e cultural da população brasileira, a preocupação com períodos mais recentes da história e a busca por um perfil mais claro para o Ensino Médio. Sem dúvida, foi problematizada a opção pela história do Brasil como eixo central de ensino. Se há dúvidas em relação a esse recorte, há certezas em relação à necessidade de realizarmos opções de contextos históricos. A maior parte dos leitores críticos presentes discorda da visão de que o documento apenas valoriza a história do Brasil, ou indica a construção de uma história ufanista. Em vários momentos do documento são valorizados os nexos e as articulações da história do Brasil com a história local e global, com outras histórias, processos e temporalidades. Claro, todos apontaram que a articulação com o global e com outras temporalidades deve ser mais perseguida e aprofundada, inclusive com história antiga.
Outro aspecto discutido foi a dificuldade de o documento delimitar processos históricos e temporalidades em certas problemáticas e áreas geográficas selecionadas. Sugerimos, com ênfase, a explicitação e a delimitação dos processos históricos, das temporalidades e seus problemas nas séries do ensino fundamental e médio. Recomendamos ainda que sejam ouvidos especialistas em áreas específicas da historiografia.


abraço,

martha abreu.

30 Nov 2015 0 comment
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Caros colegas,
Entendo que documento produzido pela Anpuh seção Rio de Janeiro, e assinado por sua presidenta, Monica Martins, não representa todos os seus associados, nem todos os presentes na referida reunião de 18 de novembro. A postura da carta, rejeitando completamente o documento produzido pelo MEC, não é compartilhada por diversos outros historiadores, pesquisadores e profissionais do ensino de história. Sem dúvida, há muitas críticas e sugestões a serem feitas, mas em diálogo com o documento e com os responsáveis pela proposta do componente curricular de História da BNCC.Também divulgaremos um documento público nas redes sociais, discordando de sua forma, conteúdo e encaminhamento.
Na USP, na sexta feira última, considero que a reunião foi muito esclarecedora e aberta ao diálogo. Na abertura, a professora Hilda Micarello, assessora da Secretaria de Educação Básica do MEC para a elaboração da BNCC, apresentou a proposta geral, que vem sendo trabalhada desde 2013, e os critérios de convocação das equipes de todas as áreas: foram convocados profissionais de variadas partes do país, que atuam na pesquisa do Ensino de sua área específica e possuem experiência em reformulações curriculares realizadas em seus estados. Deixou claro também que o portal está recebendo questionamentos e sugestões (que estão sendo processadas por uma equipe da UNB) e que serão ouvidas todas as associações cientificas, de historiadores e de pesquisadores do ensino de história.
Uma boa notícia é que o documento hoje disponível será revisto pela equipe, depois dessa primeira rodada de críticas e sugestões, e mais uma vez apresentado para debate. Só depois de todas essas rodadas teremos o documento final, que deverá ficar pronto em julho. Como leitores críticos, estavam presentes Maria Helena Capelato, Marieta Morais Ferreira, Marcelo Magalhães (UNIRIO), Helenice Rocha (UERJ), Luis Fernando Cerri (UEPG), Renilson Rosa Ribeiro (UFMT), Arnaldo Pinto (UFSC), Rafael Teixeira (UFG). Para as próximas rodadas serão convocados outros leitores críticos e ouvidas nossas associações.
Entre vários pontos destacados pelos leitores críticos, foi valorizada a ênfase na história da diversidade étnico-racial e cultural da população brasileira, a preocupação com períodos mais recentes da história e a busca por um perfil mais claro para o Ensino Médio. Sem dúvida, foi problematizada a opção pela história do Brasil como eixo central de ensino. Se há dúvidas em relação a esse recorte, há certezas em relação à necessidade de realizarmos opções de contextos históricos. A maior parte dos leitores críticos presentes discorda da visão de que o documento apenas valoriza a história do Brasil, ou indica a construção de uma história ufanista. Em vários momentos do documento são valorizados os nexos e as articulações da história do Brasil com a história local e global, com outras histórias, processos e temporalidades. Claro, todos apontaram que a articulação com o global e com outras temporalidades deve ser mais perseguida e aprofundada, inclusive com história antiga.
Outro aspecto discutido foi a dificuldade de o documento delimitar processos históricos e temporalidades em certas problemáticas e áreas geográficas selecionadas. Sugerimos, com ênfase, a explicitação e a delimitação dos processos históricos, das temporalidades e seus problemas nas séries do ensino fundamental e médio. Recomendamos ainda que sejam ouvidos especialistas em áreas específicas da historiografia.


abraço,

martha abreu.

Última modificação em Sábado, 05 Dezembro 2015 10:11

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