COMUNICADO À ANPUH NACIONAL

Vivemos tempos difíceis. Após o colapso da democracia, assistimos à decomposição do país com a derrocada de valores como ética e cidadania e o aumento da intolerância em relação às minorias.

Igualmente, persistem em nossa sociedade heranças autoritárias que não só evidenciam sua polarização atual, quanto expressam e intensificam materialmente, atitudes relacionadas ao racismo; às violências; ou a bizarras tentativas de suprimir a liberdade no campo da educação pública; como demonstram as investidas retrógradas de adeptos da "escola sem partido"; ou de grupos que encampam falsas lutas sob controvertidas consignas morais, como sugerem as acusações fantasiosas e descabidas sobre o que designam "ideologia de gênero".

Às professoras e professores do ensino público universitário caberia, sobretudo dentro desse contexto conflitivo, desempenhar o papel de mediadores serenos em torno de um diálogo aberto, democrático e claro: seja com seus pares, seja com seus alunos, ou com a sociedade em geral, em vez de militarem em causa própria sob o pretexto de defenderem causas universalistas.

Mas o que dizer de indivíduos que talvez possam ter frequentado corredores e salas da Universidade e passam a participar de atividades que evidenciam um processo de infantilização quando as tecnologias são mal empregadas, ou quando seus fins são direcionados para atingir pessoas ligadas a esta mesma Universidade? E o mais grave, em vez de fazê-lo de forma clara e direta – como se espera daqueles cujo caráter seja condizente com os princípios éticos – agem de forma maldosa, preconceituosa, e misógina, com referências alegóricas a regimes políticos racistas; e atacando professoras e professores através de postagens publicadas na internet.

Mais de dez filmes já foram publicados nas plataformas do Facebook e do YOUTUBE, por um indivíduo ou grupo, que covardemente prefere esconder-se atrás de um falso perfil. Ao longo dos últimos dois anos, este perfil vem sendo utilizado com frequência para achincalhar de forma violenta algumas professoras e professores ligadas/os ao Departamento de História e ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná, com citações desleais não só àquele Programa, mas também à CAPES e pessoas a ela ligadas.

Temos clareza que o dissenso e as divergências de ideias são práticas comuns, e mesmo salutares, entre pessoas ou grupos que se relacionam com os dilemas de uma Universidade pública. Entendemos também que, embora apreço e amizade sejam questões de foro pessoal, as relações de trabalho internas e/ou externas à Instituição, como em qualquer outro lugar, devem ser regidas por um mínimo de civilidade e respeito. Todavia, lamentavelmente, não é isso que constatamos nessas práticas que se constituem como ilegais e clandestinas.

Por último, também não podemos deixar de manifestar nosso repúdio em relação à conduta de pessoas ligadas à Universidade, que ao "compartilhar" e/ou "curtir" os vídeos e tecer comentários jocosos; ao corroborar comportamentos estranhos à sociabilidade institucional, têm apoiado e feito coro às manifestações caluniosas e difamatórias, ajudando a desqualificar a imagem do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UFPR.

Desse modo, solicitamos o apoio enfático da ANPUH no sentido de repudiar as postagens que vêm sendo divulgadas neste perfil.

Curitiba, 28 de novembro de 2017

Prof. Roseli Boschilia

Prof. Marcos Gonçalves

Docentes do Departamento de História da UFPR

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