NOTA DA ANPUH: PERSEGUIÇÃO E COAÇÃO

Os profissionais da História brasileiros representados pela ANPUH vem a público demonstrar sua profunda preocupação com o processo de coação e perseguição sofrido por professores de História ao longo dos últimos meses.

Esse processo, certamente, é estimulado pelo movimento Escola Sem Partido que organiza eventos, produz conteúdo digital divulgado em seu sítio eletrônico etc. e patrocina ações legislativas que estimulam a coação, o constrangimento e a censura aos professores de História em todo o território nacional. Já temos registro de casos de professores que sofreram e ainda sofrem esse tipo de ação.

No momento, três casos nos preocupam profundamente.

O primeiro é o do Colégio Pedro II na cidade do Rio de Janeiro. Lá, professores de História, há alguns meses, foram interpelados pelo Ministério Público Federal, que acaba de abrir um processo administrativo contra esses servidores públicos federais por supostos delitos.

O segundo é o processo civil contra a professora Marlene de Faveri no Estado de Santa Catarina, por suposta propaganda do feminismo em sua atividade docente.

E, finalmente, o afastamento da atividade docente do Professor José Mineiro da rede pública estadual do Rio Grande do Sul, em função também do conteúdo de sua atividade docente.

Todos esses eventos de censura e perseguição a professores são baseados principalmente na "crença" do "Escola sem Partido" de que os docentes estariam fazendo "doutrinação esquerdista" dos seus alunos.

A ANPUH registra sua indignação com a desvalorização e a criminalização do trabalho dos profissionais da História presentes nesse tipo de ação e chama a atenção para os resultados catastróficos para o futuro da democracia e do pensamento crítico e emancipador na sociedade brasileira.

6 comentários

  • João Samuel Passos Barbosa 01 Junho 2017

    Toda a minha solidariedade aos professores vítimas dessa ação truculenta do Estado brasileiro que cada vez mais tem revelado a sua verdadeira que é a de Estado policial e opressor sempre a postos para fazer vigilância cerrada e forte censura contra tudo e contra todos que, na lógica perversa desse Estado, depoem contra os valores da sociedade burguesa. Muito triste isso.

  • Aida 19 Abril 2017

    Queria só comentar sobre o caso da Faveri. Este caso engloba questões muito complicadas. Primeiro, se a universidade é pública, ela deveria servir a todos os cidadães sem discriminar. Claramente ela não faz isto, e este caso é um caso claro de discriminação ideológica, em primeiro lugar, e discriminação religiosa em segundo, pelo fato que ideologia engloba qualquer religião.

    Segundo, porque o monopólio ideológico produz a mediocridade acadêmica, uma vez que o ser humano tem uma capacidade muito variável de enxergar os próprios erros e distorções. Eis um dos elementos mais complicados desta historia. Se um professor só admite alunos que repetem o que o professor pensa como papagaios, a produção acadêmica sofre e muito. Se o professor admite alguém que contesta sua forma de pensar, cria-se um conflito.

    Independentemente se esta aluna publicou coisas que poderíamos chamar de asneiras nos canais sociais além de outros questionamentos válidos , eu imagino pelo pouco que eu li, que as gravações da sala de aula dela vão mostrar um ambiente como ela descreve: hostil e discriminatório.

    Terceiro, como perguntaram outras alunas à moça em questão: por que você quis fazer mestrado com uma professora que tem uma forma de pensar diferente da sua? Como se isto fosse um problema. Um professor não é capaz de orientar um aluno que tem outra visão? Não deveria um professor ser capaz disto?

    Quarto, este caso salienta que por detrás do belo discurso que o mundo acadêmico faz que existe para promover a sabedoria e é baseado em ética, na verdade, ninguém se atraca mais ao poder do que um acadêmico, com exceção de políticos em geral e militares de ditadura.

    Mesmo que ambos os lados deste conflito possam ter cometido erros, me parece que foi a moça quem foi severamente lesada. E independentemente deste caso particular, os problemas que ele suscita existem pelo mundo acadêmico afora.

  • Renan Rebonato 28 Março 2017

    Não se esqueçam dos sites think thank liberais que espalham as asneiras da escola austríaca de economia, que é um verdadeiro antro de embuste. Ela tb é uma ameaça séria a democracia e ao bem estar do nosso povo.

  • Professor indignado 26 Março 2017

    Quando a ANPUH fará denúncia à respeito das Professoras Ana Paula Campagnolo e Paula Marisa, ambas exoneradas no Estado de Santa Catarina, comprovadamente perseguidas no espaço de trabalho por se negarem a fazer doutrinação ideológica?!? Onde está a Liberdade de Cátedra?!?

  • maria de lourdes bortolatto 23 Março 2017

    Isso tudo é pra evitar que se lute pelos abusos cometidos até hoje. Sou Educadora e sei o quanto a liberdade é importante e Escola sem Parido luta pela liberdade com responsabilidade.

  • Eduardo Queiroz 23 Março 2017

    E se vocês, professores esquerdistas, obedecessem a Constituição e as leis e ensinassem todas as visões e teorias, não apenas as marxistas?

    E se vocês, professores esquerdistas, deixassem de fazer "bullying" nos alunos que pensam diferente e querem aprender TAMBÉM as outras linhas de pensamento econômico e filosófico?

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