BNCC - PRÓXIMAS MEDIDAS A SEREM TOMADAS

Em reunião da Diretoria Nacional com a presença de representantes das s, realizada no dia 1/12/2015, após ampla discussão sobre os procedimentos a serem adotados em relação a um posicionamento da ANPUH face a proposta da BNCC, ficou estabelecido, com a aprovação de todos, que:

a) A ANPUH-Brasil, através de sua Vice-Presidente Profa. Lucilia Neves Delgado, irá ao MEC para protocolar um pedido de audiência com o Secretario Nacional de Ensino Básico Manoel Palacios, responsável pela elaboração do Programa da BNCC com o objetivo de solicitar a ampliação da Comissão responsável pela elaboração da Proposta e também ampliação do prazo para a finalização do documento, de forma a garantir uma ampla participação de representantes da área.

b)A ANPUH-Brasil promoverá ampla discussão da Proposta, com a colaboração das Seções Estaduais e, posteriormente, realizará um Seminário Geral na sede da Associação entre os dias 29/2 e 1/3 de 2016 com o objetivo de elaborar um documento critico a ser encaminhado à SEB/MEC em nome da ANPUH-Brasil.

1 Comentário

  • Rafael Alves Rossi 07 Dezembro 2015

    Olá, caros colegas de profissão e companheiros de luta, sou professor das redes municipais de ensino do Rio de Janeiro e de Itaguaí, bacharel e licenciado em História e mestre em História Social na área de História Antiga pela UFF, filiado à ANPUH e ao SEPE-RJ, e acredito que essa discussão é muito importante, principalmente no que se refere ao curso de História, sempre sujeito à manipulação ideológica e política de seus conteúdos para o currículo escolar; é claro que é impossível e nem é desejável uma história neutra e que os debates feitos pelos movimentos sociais e as diversas organizações da sociedade civil devem se refletir no currículo de História, mas, ao mesmo tempo, a História também é uma ciência e deve ter seus conteúdos, metodologias e objetivos definidos, antes de mais nada, pelos pesquisadores e professores da área. Ninguém ousaria mexer nos conteúdos de Física, por exemplo, como fazem com História, por isso devemos reafirmar que a História não é um mero discurso,que não deve ser tratada como objeto de construção de memória e de visão de mundo de qualquer governo e que, portanto, o viés excessivamente nacionalista do atual currículo é inadequado, assim como seria um currículo eurocêntrico; História Antiga e História Medieval praticamente desapareceram do atual currículo e mesmo temas importantes da História Contemporânea como o movimento operário, Revolução Russa, indústria cultural, totalitarismo são reduzidos ou inexistentes. Fiz minhas sugestões para a Base Nacional Comum Curricular no site do MEC, mas essa discussão é inexistente no interior das escolas, infelizmente. Quanto ao conteúdo de História já existem os Parâmetros Curriculares Nacionais de História e também os PCN´s dos Temas Transversais (que se relacionam com a dimensão político-cidadã), além dos currículos das universidades, que devem ser levados em consideração se não quisermos criar um abismo entre a produção científica e o saber escolar. Mesmo que se privilegie a História do Brasil, a História da América e a História da África, os conteúdos básicos não podem ser tão extensos a ponto de inviabilizar que as redes municipais e estaduais, as escolas e os professores nas salas de aula possam definir outros conteúdos prioritários para a realidade local e para o professor em particular e seus educandos. Embora seja positiva a base comum (havia também uma certa irresponsabilidade de alguns educadores na área de História que deixavam de lecionar conteúdos elementares para a compreensão do Brasil contemporâneo como o governo de Getúlio Vargas) e haja a previsão da constituição dessa base comum na LDB, esse impulso pela sua aprovação rápida me parece uma demanda do próprio empresariado que participa do Movimento Todos pela Educação e tem interesse em assegurar o que se aprende nas salas de aula exatamente para moldar seus futuros trabalhadores e os cidadãos do Estado capitalista; é claro que em se tratando de um governo de centro-esquerda no poder, esses conteúdos vão refletir também demandas de movimentos sociais, mas que, contraditoriamente, se apenas obedecerem aos interesses de grupos específicos e não como parte de uma construção mais ampla que garanta aos estudantes o acesso ao conhecimento do patrimônio histórico e cultural da humanidade, essa participação dos movimentos pode resultar num conteúdo de História reacionário porque construído com base numa visão limitada da realidade. Por isso, os historiadores devem protagonizar a construção do currículo de História e nesse sentido sou totalmente favorável às medidas aprovadas pela ANPUH.

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