CARTA ABERTA À SOCIEDADE BELO-HORIZONTINA.

No dia 3 de maio a equipe do Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte (MIS-BH) foi informada que a sede, situada na Avenida Álvares Cabral, 560, deverá ser desocupada em até 20 dias para que o espaço possa abrigar a Associação Municipal de Assistência Social- AMAS. Essa decisão, que não contou com a participação da equipe, foi tomada sem um estudo dos impactos que serão gerados sobre os serviços e atividades oferecidos pelo Museu e, especialmente, sobre o acervo preservado por ele.

O Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte – MIS-BH tem a missão de preservar, mapear e disseminar os registros audiovisuais que contemplem a história e a cultura da capital mineira por meio de ações de conservação de acervos, estímulo à pesquisa, educação patrimonial, fomento à produção, difusão e acesso à produção audiovisual.

A instituição tem origem em 1989, ano em que foi aprovada a lei Nº 5.553, que autorizou a criação do Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte (MIS-BH). Em 1995 foi inaugurado o Centro de Referência Audiovisual (CRAV) com vistas a se tornar base para a futura implantação do MIS-BH, que se concretizou em novembro de 2014 através do Decreto Nº 15.775.

Há mais de 20 anos, o Museu da Imagem e do Som vem cumprindo sua função como guardião da memória audiovisual da cidade. Seu acervo é constituído por vários suportes (fílmico, fotográfico, videográfico, iconográfico, fonográfico, textual, bibliográfico), trazendo imagens de Belo Horizonte em diversas épocas. Abrigado por um casarão tombado pelo Patrimônio Histórico, o MIS-BH é equipado com uma área de reserva técnica inteiramente adaptada para atender às especificidades de seu acervo. As salas são climatizadas, possuem controle de temperatura e umidade relativa do ar. O espaço de 62 metros quadrados da reserva é dividido conforme as condições físicas do acervo. Além disso, todo o acervo videográfico, fotográfico e iconográfico recebeu novas estantes no fim de 2016, ampliando a capacidade de guarda para estes materiais em mais de 100%.

Dentre os mais de 90 mil itens, o MIS possui importante acervo de cinejornais que traz imagens de Belo Horizonte produzidas entre as primeiras décadas da nova capital até os anos de 1970. São imagens únicas que mostram uma Belo Horizonte em transformação. Possui também mais de 30 mil rolos de filmes de reportagens da Rede Globo Minas produzidas entre 1968 e 1983, perpassando os mais variados assuntos, desde futebol até saúde pública e a vida cultural na cidade. As produções de importantes cineastas mineiros também estão guardadas no MIS, tornando este acervo único no contexto da preservação nacional. É importante destacar também o acervo fotográfico sobre a TV Itacolomi existente unicamente no museu. São milhares de fotos que mostram o dia a dia da TV, seus programas e bastidores.

Todo este acervo se encontra disponível para consulta externa. O MIS recebe semanalmente os mais variados tipos de pesquisadores. São estudantes de várias áreas do conhecimento, além de novos produtores do setor audiovisual em busca de registros históricos da cidade.

O MIS é referência nacional no trabalho de preservação audiovisual e desenvolve ações de formação voltadas para este tipo de acervo e suas especificidades. Exemplo disso são as oficinas de preservação que buscam capacitar o público para lidar com filmes de película. Além das parcerias com universidades para a formação de estudantes da área.

O museu oferece visitas mediadas às suas exposições e ao acervo, oficinas audiovisuais e visitas sensoriais. Em 2017 o MIS passa a integrar o Circuito de Museus – Imagem em Movimento, promovido em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, recebendo semo de atuação a criação de editais específicos de fomento à produção audiovisual sobre o patrimônio imaterial da cidade, nos quais já foram realizados 14 filmes; bem com a recente publicação do decreto que dispõe sobre filmagens e gravações noanalmente um grande número de estudantes de variadas faixas etárias vindos de escolas de toda BH.

No âmbito do poder público municipal, ao longo dos últimos anos o Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte vem assumindo também um lugar de destaque no desenvolvimento de políticas culturais voltadas para o incremento do setor audiovisual. Inserem-se nesse escop Município de Belo Horizonte, com o intuito de incentivar, fomentar e desenvolver a indústria audiovisual local.

Para 2017, está prevista a implantação do Núcleo de Produção Digital, uma parceria firmada entre o Museu da Imagem e do Som e o Ministério da Cultura – MINC, para a criação de centro de formação e produção audiovisual. O projeto possibilitará a consolidação de uma política voltada para a formação e a capacitação do setor.

Ainda com o intuito de ampliar as ações de promoção da linguagem audiovisual em Belo Horizonte, o Museu da Imagem e do Som inaugurou em 2016 o MIS Cine Santa Tereza, o primeiro cinema municipal da cidade. O espaço conta com sala de exibição, espaço multiuso e biblioteca. Atua na formação de público, difusão e acesso à linguagem audiovisual, tendo alcançado mais de 30 mil atendimentos desde sua inauguração.

De janeiro de 2016 a abril de 2017, o MIS-BH contabilizou mais de 31 mil atendimentos, distribuídos entre as várias atividades oferecidas pelo museu: ações educativas, acesso à pesquisa, difusão de acervo, visitas à exposição, oficinas de preservação, apresentações artísticas, dentre outras. Cerca de 5 mil ações de preservação foram realizadas sobre o acervo: mais de 25 mil metros de película analisados e tratados, cerca de 10 mil fotografias acondicionadas, aproximadamente 30 horas de cinejornais digitalizados e 700 cartazes restaurados e digitalizados, além de 1100 itens do acervo videográfico e 240 peças do acervo tridimensional inventariados.

Para que possa continuar existindo cumprindo a sua importante função social, o Museu da Imagem e do Som necessita de sede própria, com infraestrutura adequada que forneça condições ideais tanto para o acondicionamento de seu acervo singular quanto para realização de suas atividades. No momento a solução apresentada é a transferência de toda a sua estrutura para o salão multiuso do MIS Cine Santa Tereza, espaço atualmente dedicado a exposições, apresentações artísticas, seminários e ações formativas e que preserva a arquitetura original do cinema construído em 1944. Entendemos que esta proposta não atende as necessidades específicas do MIS para guarda e difusão do seu acervo, além de descaracterizar a arquitetura e comprometer a finalidade do espaço multiuso. Cabe destacar que desde 2008, ano em que o museu passou a ocupar sua atual sede, foram gastos mais R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) de dinheiro público em obras e equipamentos para adaptar o local e deixá-lo em condições adequadas para preservar seu acervo. Além disso, se se efetivar a transferência do MIS, está previsto o gasto mais de R$ 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil reais) para a realização de obra de adaptação no espaço do MIS Cine Santa Tereza.

Diante do exposto, solicitamos o apoio de todos para a garantia, pela Prefeitura de Belo Horizonte, de uma sede própria para o Museu da Imagem e do Som e para a manutenção do espaço atual do MIS Cine Santa Tereza. Convidamos a todos para conhecer o MIS-BH e o MIS Cine Santa Tereza e nos apoiar na luta pela manutenção e ampliação de nossos espaços e ações, garantindo a continuidade do trabalho de preservação e difusão deste Patrimônio Audiovisual tão importante para a memória e história de Belo Horizonte.

Servidores do Museu da Imagem e do Som/MIS Cine Santa Tereza.

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