NOTA DE REPÚDIO

gt genero

 

O GT de Estudos de Gênero vem somar-se à ANPUH Nacional, expressando sua preocupação e indignação diante da perseguição que vem atingindo os professores e professoras de História, com base na doutrinação produzida pelo Movimento Escola sem Partido. Entre os casos, destacamos o da Professora Marlene de Fáveri da Universidade do estado de Santa Catarina-UDESC, acusada de fazer propaganda feminista ao ministrar um curso que tem como temática exatamente o Feminismo. A professora está sendo processada por uma ex-aluna, que se inscreveu no seu curso e que se diz constrangida, como cristã e anti-feminista, pela matéria apresentada e discutida nas aulas. Esse caso, evidencia a falácia desse movimento que pretende impedir que os professores de História abordem em suas classes quaisquer temas que considerem contrários à ideologia que defendem, acusando-os exatamente de fazerem propaganda ideológica. O que procuram nos impor não é uma escola sem partido, mas uma escola amordaçada, sem espaço para a informação e o pensamento crítico. A professora em questão é reconhecida por seus pares pela excelência de seu trabalho de pesquisa e pela seriedade com que se dedica à docência. No entanto, vem sofrendo retaliações por abordar em um curso conteúdo pertinente à própria temática do curso, o que representa um contra-senso absoluto. Assim, declaramos nossa total solidariedade à professora e demais colegas que estejam vivendo situação semelhante. Dizemos não à Escola da Mordaça por defendermos uma escola crítica e democrática, em que o conhecimento se produza por meio do debate e da liberdade de expressão.

2 comentários

  • Paulo Barbosa 11 Abril 2017

    Parabéns à aluna que ao se sentir constrangida ingressou na justiça. Professores não são doutrinadores, mas difusores de fatos científicos ou históricos-reais, não lhes cabendo lecionar ideologias utópicas. Parabéns à aluna, mais uma vez. Utópicos não passarão!!!

  • Eduardo K F 04 Abril 2017

    Eu aqui venho expressar o meu repúdio a essa nota, como estudante de História. É triste notar certo clima de totalitarismo no meio acadêmico, advindo de grupos militantes que não aceitam o divergente, que querem- à maneira de Gramsci- instaurar um pensamento único, hegemônico. Grupos de ideologias totalitárias. Cada vez menos percebemos que a população dá respaldo aos debates acadêmicos de História, preferindo teorias e visões outsiders; visto nossa incapacidade de dialogar com o diverso e o que não concorda com certas linhas de pensamento. A estudante foi denegrida devido às crenças religiosas dela, ao mesmo tempo que forçavam que ela sujeitasse as conclusões dela a uma instrumentalização da ciência para causas feministas. Em hipótese nenhuma, um professor pode tratar como inferior um aluno devido suas crenças religiosas. É absurdo o clima discriminatório instaurado nos cursos de Humanas, dependendo de suas convicções políticas e religiosas. E essa forma de preconceito, DEVE ser punida sim. Estamos num estado de direito, um professor não é alguém acima das leis. Justamente devido os absurdos do sectarismo e partidarismo que uns nas humanidades promovem, surgiu a defesa de projetos como o Escola sem Partido. Num país sério, nem teria o porquê de se pensar algo semelhante. Se os alunos saíssem realmente críticos das universidades, saberiam como dialogar com os pais e direção, sem necessidade de lei. O que vemos, é alunos dos cursos de humanas - e especialmente História- saírem com um perfil homogêneo, massificado; querendo forçar sua visão de mundo a outros. Felizmente, não funcionou o projeto de hegemonia cultural de alguns, e terão que saber lidar com o diverso.

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